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Sobre a arte do esmero e dos elogios ao primor |
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COLUNA MODA E EDUCAÇÃO, por Dario Brito
Tenho uma aluna que sempre capricha nos seus trabalhos da faculdade. Não importa a natureza do que lhe for solicitado, ela sempre faz mais do que esperamos (escrevo no plural, pois já partilhei essa ideia com alguns colegas). E quando digo mais, me refiro a um "mais" com impecabilidade, cheio de refinamento. Por mais aparentemente corriqueiras ou simples, as atividades acadêmicas (elas dificilmente são isso de verdade...) realizadas por essa estudante sempre provocam a admiração por parte de alguns colegas e uma inveja indisfarçável e quase teatral pelos demais. No meu canto, eu só sou capaz de sorrir discretamente diante dessas reações.
O fato é que essa minha aluna sempre dá um jeito de conferir refinamento ao seu material: seus croquis nunca são simples croquis, seus projetos são uma verdadeira aula com relação ao primor e seus rascunhos nem sequer merecem ser chamados assim, pois muito são melhores que alguns trabalhos finais que existem por aí. Não sou professor de desenho, mas acredito que ela deva orgulhar quem lhe ensinou os primeiros traços.
Fico sempre olhando e, de certo modo, curioso a respeito do que ela vai me entregar adiante. Sou um fã não-confesso dos seus trabalhos, até porque a posição de professor infelizmente não me permite o contrário. Mas a verdade é que muitos desses trabalhos são até inspiradores.
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Entre o céu e o inferno dos estágios, deve haver (na verdade, sempre há...) algo de bom |
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COLUNA MODA E EDUCAÇÃO, por Dario Brito
Reações conflitantes: é triste e ao mesmo tempo um pouco engraçado perceber a cultura que temos em relação ao estágio, no nosso País. Essa prática que, em tese, ajuda a complementar no dia a dia o que a teoria e os "ensaios" da faculdade proporcionam, muitas vezes não passa de piada no Brasil e acaba se transformando numa caricatura de si mesma, já que muito disso pode ser (e na verdade é...) baseado em experiências reais. A figura do estagiário que serve de burro de carga, que ocupa o lugar do animal adestrado ou que é um subcidadão instalado na base da cadeia alimentar profissional dá pano pra muita manga ao imaginário coletivo.
Na área de design de moda não é diferente. É justamente no momento do estágio que alguns mitos caem, que o glamour desaparece, que problemas reais pedem soluções ágeis e milagrosas e que a dura realidade se revela cruel. Mas é também nesse período que o aluno e sua vontade romanticamente apaixonada de trabalhar nessa área são colocados em teste. E se a experiência valer a pena e o resultado for positivo, ela se transforma – quase na totalidade das vezes – no início de uma ótima carreira.
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Um novo olhar para marcelos e patrícias |
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COLUNA MODA E EDUCAÇÃO, por Dario Brito
Marcelo é um dos estudantes mais empolgados e pró-ativos do curso de Engenharia de Alimentos. Patrícia, que só vive atarefada "surfando" entre o trabalho e os estudos, está no último ano da Faculdade de Design de Moda. Marcelo desenvolve atualmente, dentro de um projeto de incentivo à inovação na sua faculdade, um trabalho para produzir gorduras com baixo teor de saturados e, assim, contribuir de alguma forma com uma melhor qualidade de vida para as pessoas a partir da alimentação. Patrícia só pensa em finalizar seu curso e, ao mesmo tempo, olha para o que produziu durante quase três anos pensando que poderia ter deixado alguma contribuição do ponto de vista da inovação para a sociedade, mas vê que sua situação não é isolada: ao olhar em seu redor, percebe que seus amigos, conhecidos, alunos de outras turmas e de outras instituições no mesmo curso não tiveram espaço, incentivo ou oportunidade para produzir algo de novo na área de moda.
Este cenário descrito acima pode ser uma das comparações mais simplistas e até equivocadas do ponto de vista da inovação nas instituições de ensino superior, mas ao mesmo tempo ilustra uma dura realidade para os cursos de Design de Moda: a produção de conhecimento, na grande maioria das vezes (e que esse termo seja grifado pelos leitores...), é insuficiente ou mesmo nula. E aí nos deparamos com uma encruzilhada cruel diante de nós: as faculdades e universidades, que deveriam ser o local para desenvolver o pensamento, com tempo e material humano disponíveis para pesquisa e inovação, acabam se convertendo num espaço onde os conhecimentos são repetidos e repetidos ininterruptamente sem que nada de novo seja criado ou mesmo criado e sugerido para além dos muros da faculdade (empresas, comunidade de entorno, etc.).
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